Não sei pedir perdão a Deus por não estabelecer pra mim e pro mundo a minha crença nas palavras de Cristo. Não sei pois quando digo sobre algo em mim é desconfiança. Pertenço há longo tempo em lugar de bons amigos, e os intelectuais não permitem que se acredite em compaixão.
Como?
Repito que muito do que Jesus trouxe tinha a ver com esse aspecto. Falou de paz interior, amor ao próximo e a si mesmo, sobre o agir com justiça, ter fé em si próprio e na vida, ser ressignado e perseverante. Mas houve algo mais intenso do que tudo isso:
depois que instituições se apropriaram das palavras e da imagem de Jesus, muitos poucos tem interesse em conhecê-lo.
A religião às vezes não religa, às vezes a religião afasta.
Se soubesse das ideias de Jesus antes, já me diria cristã. Mas nunca fui religiosa. (...)
porque viria a me interessar por esse rapaz?
Foi mais fácil conhecer primeiro Freud e Cia. Até porque dizer-se cristão em um meio acadêmico (a minha cachaça) é colocar em si um chapéu de burro - são muitos olhares de julgamento. É preciso pensar duas vezes antes de assumir a nossa pretensão por praticar aquilo que Jesus pregou.
Não me vejo ainda assumindo-me cristã por céus e terras. Mas me admira a sabedoria de Jesus e também a sua firmeza. Ele sabia escolher as suas batalhas.
A minha, é interna.
Preciso convencer-me a destacar em mim aquilo que resplandece a alma. Pois quando a gente foca mais nesse aspecto, os olhares reduzem - aos nossos olhos, claro.
Nós começamos a dar maior importância a um outro lado.
Se um dia a gente conseguir agir, pensar e sentir de igual modo. Pensamento, ação e sentimento, todos ressoando em uma única música... então, teremos vivido uma boa vida.
Intelectuais ou não.
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